
Hoje, a 1 am - na Portela:
o REI da bateria,
o KAISER da quizumba
o IMPERADOR na batucada
o CALIFA da avenida
o SHEIK dos chocalhos,
o KZAR do Sambódramo
CAAAAAARLOOOOS LEMOS (meu avô), na velha guarda da Portela.
Não amanhece
Sobre meu rosto
Ou no resto no copo
No que resta no corpo,
No cuspe na taça,
Quando amanhece,
Se amanhece um dia.
Como óleo no vinho
Distorcidas cores.
E culpam a luz do sol,
O soldado que atravessou
O deserto com o seu tambor
Não culpou quem não o recebeu
Culpou baquetas e o fio dental.
Coitado.
Coitadinho.
Encarando o muro,
se pergunta -
"porque não
eu?
porque
não?"
Portões jamais respondem
Contra tempestades de areia
Contra o grão maléfico;
Permanece silencioso.
Você acena, as mãos,
como se regesse uma orquestra.
Com todo o drama das melodias,
De todas as partidas,
antes dessa.
Seus dedos tortos controlam,
tremem os arcos dos violinos,
pulsam a jugular do cello,
desafina,
por um compasso.
geme, grave, geme.
A dor dos cantores de tango
Entre as pernas da moça
Sua saia como cortina,
geme, o cello, geme,
O desejo que agoniza.
A orquestra toda some
Na curva da esquina
Enfiada no seu bolso,
onde um isqueiro é procurado.

Eu canto pra você
que decifrou minha voz,
eu canto para esquecer
o que foi feito de nós.
A sua esmola
já não me banca
Mas sua gaiola
Ainda me tranca.
Eu penso
Quando
Quando a minha cama
Não quer me receber.
Vou a rodas galantes,
visito palacetes,
Brindo, beijo e danço
junto a outros cadetes.
Eu gostei de você
Que um dia disse que eu
Era a mais bonita
Que você nunca conheceu.
Outras meninas podem
Ter te conhecido
Mas se você conheceu elas
Eu nem imagino.
Um beijo pra você
Que não passa mais por aqui.
Ainda lembro bem,
nada se perdeu em mim.
Reviro os olhos pra dentro
E te vejo lá -
Mexendo no meu cabelo,
esperando a chuva passar.

H: Então, o que você queria me perguntar?
M: Você me conhece, você sabe que eu não sou a pessoa que tem respostas, eu sou a pessoa que tem perguntas. Um monte de perguntas.
H: Você nunca fez muitas perguntas para mim.
M: Eu não faço perguntas, a maior parte das perguntas não são nada além de Loucura Especulativa Feminina, são uns delírios interrogativos breves, que não valem nem a pena ser pensados, muito menos articulados.
H: Se você não tem nenhuma resposta então me faz uma pergunta. Me pergunta alguma coisa.
M: Você ainda me ama?
H: Caralho, você podia ter começado com alguma coisa tipo “qual a sua cor favorita”, ou sei lá...
M: Qual a sua cor favorita?
H: Preto.
M: Você ainda me ama?
H: Sim.
(...)
M: Viu, esse é o problema dessas perguntas, elas têm respostas, quando você tem alguma resposta você tem que fazer alguma coisa com ela. As pessoas esperam que você faça alguma coisa, é como funciona. E eu não sei o que eu faço com essa.
H: A gente faz o que a gente fazia antes.
M: Isso não serve mais pra mim.
H: O que?
M: O que a gente fazia antes. Não serve mais pra mim, eu preciso de mais.
H: Você ainda me ama?
M: Sim.
H: E o que a gente faz com isso?
M: Eu não sei, eu devia ter parado no “qual é a sua cor favorita”.
I
No Caminho
Eu vim ao nosso templo torto
No dia anterior ao seu retorno,
Eu vim procurar (e achei)
Rostos amigos pra me consolar.
II
Antes
Passei pelo Sheraton;
Senti meu coração se amassar
Feito uma bolinha de papel.
E, de Copacabana à Lapa,
(pela praia)
Esperei te ver
Em qualquer birosca –
-Pagar o meu táxi,
- Me beijar respeitando minha dor,
- Dizer que voltou pra me buscar.
Ah, tolinha.
III
Cúpula Comunicativa
Dezoito créditos no cartão,
Nenhum amigo que atenda
A porra do telefone.
Mesmo do orelhão
Eles sabem que sou eu.
IV
No balcão
- “Qual o seu nome?”
- “Salvador.”
- “Veio aqui salvar o que?”
- “A minha pele.”
V
Aqui nessa mesa de bar
O mundo definitivamente
Não precisa:
a) de mais fãs do Chico Buarque.
b) De pessoas que dizem que adoram Johnny Cash.
c) De gente que acha Roberto Carlos brega.
Não precisa,
Não precisa,
Não precisa.
Vai ver sou eu que não preciso.
Vai ver sou eu.
Vai ver...
Vai vênô....
VI
Quinto Chopp
O sétimo eu vou escrever em casa,
Já babando, meio em coma.
Só posso dizer com certeza absoluta
Que não vai prestar.
Mas pra que terminar bem
O que já começou mal?
Eu já nem estou mais triste;
Eu já nem estou.
“Fecha a
A minha é a dezoito.
Ainda falta muito.
VII
“Diga as suas preces”
Eu não sei o que eu vim
Fazer aqui,
Mas Deus sabe.
Minha única vantagem
É saber que Ele sabe
(E que Ele faz por mim).


Menina & Rosa
Tatuagem nova - design meu (a letra inclusive) capturado infalivelmente pela mão de Nino, lá da King Seven.
"Beauty walks a razor's edge
Someday I'll make it mine"

Então, a minha resolução de 2007 (talvez uma resolução para vida inteira):
"A beleza caminha sobre o fio da navalha
Um dia eu a farei minha"
J.
"Oh, look at me goEu mal posso respeitar a minha respiração. Eu a prendo entre goles de champanhe, eu a esmago com o peito pesado de desejos, com a fumaça de últimos de muitos outros cigarros que ainda virão. Eu sinto saudades, sufoca com sombras escuras, deixa o pulmão estreito, as causas e efeitos distantes. Quando eu estava lá, com você, com seus pés nas minhas pernas sob a inapropriada mesa de churrascaria onde eu passei a minha infância fazendo esculturas com pães de queijo ruins e palitos de dente. Porque você faz isso comigo? Porque você não faz o que eu quero mas não posso pedir?
Eu quero o elusivo vestido branco que cresce frente aos olhos das mulheres na vitrine, o filho que recomendarão que seja abortado, o estúpido laço dourado, as horas entre suco de laranja, jornais que só você lê e começos de dias que começam tarde demais para terminarem cedo. E você lê os jornais pra mim, quebrando os códigos da máfia nos classificados:
“O Tio Altermar Gostaria de Agradecer A Visita De Seus 15 Sobrinhos A Casinha Na Encosta. Esperamos Vê-los Novamente Na Próxima Primavera”
ou alguma coisa do gênero.
E eu ria, tão boba, rindo daquele jeito, escondendo a minha nudez atrás de um lençol estrategicamente largado sobre minhas pernas. E os dias passaram, eu novamente raspei os meus sovacos, as tropeços e solavancos atravessei as multidões que roubavam nossas palavras. E eu agora entendi quase tudo o que você dizia, todas as mensagens subliminares de canções românticas que me fizeram sentir a melhor entre as mulheres por estar nos braços de um sujeito que beijava os meus olhos antes de eu dormir. Eu me perdi depois, sozinha no carro escuro, voltando pra casa sob os olhos de um preocupado taxista enquanto tentava enxugar a água salgada que os meus óculos escuros não conseguiram aprisionar. Deus sabe como eles tentaram.
O amor é uma ferida. Não ponha sal sobre ela. Ela precisa respirar, não a cubra com essas bandagens, não olhe pra ela com medo. Afinal, foi minha voz que me traiu? Foram os óculos? Foram as minhas mãos? Eu quis me entregar, mas ainda não sei como. Você não me deixou entender, só me fez entregar cada vez mais, cada centímetro de um braço a ser beijado, cada suspiro e cada unha partida contra as suas costas.
J.
Que sangue corre nas suas veias?
sangue sujo, sangue de besta
Que nem os cães querem lamber.
E quem vai querer beijar
Essa sua boca azeda,
essa moldura de língua negra?
Alguém virá, alguém virá.
Agora eu lembro, sim, eu lembro,
Da luz fosca de um pêndulo
Da onde gotas de óleo escorriam.
Por que me ungiam nesse altar?
E que altar, que altar era aquele,
Quem me amarrou nele?
E como eu voltei a ser
Essa que agora brinda você,
Com a reza destorcida,
E a boca inquieta.
Que agora transfigurada
Com seus olhos rolando na nuca,
Uma gralha bicando seus seios,
Crisântemos velhos na sua cintura,
Carregados de perfumes -
Que não pertenciam a eles -
Talvez sangue, talvez rede
de esgotos, talvez vislumbre
De algo que não se conhece.
Não, eu nunca fui aquela.
Eu não voltei, cheguei agora.
Eu me perdi, foi numa dessas,
Vamos, já passou da hora,
já doeu e já sarou;
O que restou eles jogaram fora.
E finalmente, estou aqui,
nesse banquete de formas negras:
Erguendo meu corpo sobre a mesa;
Mãos sujas do sangue da besta.
Erguendo a voz e os olhos cegos,
brindando tudo que nego
em um copo pra você.
Pois nada restou,
Nada que possa ser mencionado
Talvez só uma cadeira
Para um novo convidado.