29.3.07

Frase que me veio durante o banho

"Vai com Deus que eu tenho o Diabo pra me carregar."
Eu te amo, boa sorte, até qu'em fim.

Canção nova, em ré maior. Acho que eu nunca fiz uma música com tão pouco acorde. Minimalista.

Você tem que acordar
Antes de ir embora,
E eu quero saber
O que você quer de mim.
Não é fácil dizer,
Mas dizemos toda hora:
Eu te amo, boa sorte
Até qu'em fim.

Amor no peito
Dos outros é brinquedo,
As paredes tremem
E começam a cair...
Jesus te ama
Mas eu nem te conheço,
Mas eu lembro
Que um dia eu conheci.

Eu te dei o meu melhor,
O pior eu guardei para mim...
Você deveria só ver
Como o meu pior é ruim.

Eu dei o que eu tinha
Mas eu não dei sorte,
O meu santo é forte,
Mas você me derrubou.
Me dê um tempo
Pra fechar mais esse corte -
Já te conto o que foi
Que me cortou.

Meu batismo em fogo
Me deu outro nome
Agora me chame
Só se precisar.
Eu vou sozinha,
Mas olha qu'eu vou longe!
Vou aonde o destino
Me bancar.

Eu te dei o meu melhor,
O pior eu guardei para mim...
Você deveria só ver
Como o meu pior é ruim.


27.3.07

Quem se apega só se fode


O mundo gira
Independente do que morre.
Quem se apega
Só se fode.

21.3.07

Frases em uma conversa com Mac:

"I'll prove everyone wrong. Including myself." (J.)

"I ain't ever killed anyone - but my prejudice is against jail, not homicide." (J.)

"motherfuckers BETTER be glad I have a conscience..or they'd be some dead motherfuckers, lemme tell ya..." (M.)

Muita coisa em inglês por aqui ultimamente, não? Já passa...

J.
God Says Nothing Back

Tostói disse uma vez: "Deus espera". Sempre gostei desse dizer e essa música do Wallflowers é, de uma certa forma, uma continuação disso. Acho fantástica a letra e a melodia, que eu não descreverei porque, como Zappa disse, escrever sobre música é o mesmo que dançar sobre arquitetura. Ou alguma coisa assim.

"Seems like the world's gone underground
Where no gods or heroes dare to go down
As teardrops from a hole in heaven come
Overhead like ravens dropping down like bombs
Through the morning's silver-frosted glow
God says nothing back but I told you so
I told you so

God bless the void of my day dreams
Head back in the snow making angel wings
As slow motion dancing lights at dawn
Sail beneath a burning yellow sun
I'm calling out from the deep ends of my bones
Time says nothing back but I told you so
I told you so

Still waters rising in my mind
Black and deep, smoke behind my eyes
Last night I could not sleep at all
I hallucinated that you were in my arms
To be in your heart I failed my own
Love says nothing back but I told you so,
I told you so

Still here reclimbing every rung
Someone saw something,someone speak up
Back over the rotted bridge I cross
Open up these graves, let these bodies talk
Buried under leaves blood red and gold
Death says nothing back but I told you so,
I told you so"

J.

20.3.07

Song For The Wounded
(Para Natércia P.)

I had a thousand names on this list,
My men, dead and wounded,
Living at the shadow of your name,
Blinded by your golden basking glory.
You could say it was worth it -
But I can't.

They were just stand-ins, hun?
Just small, faceless
background figures.
Never got a part here.
People that will only be recognized
By tattoos and dental records,
Extras in a movie no one will see.
I had a thousand names on this list.

Each one,
Every single one,
Is gone.

We're grasping for air in the bowels
of this ship,
this sinking ship.
The band quitted playing.
They are all safe, bless their hearts,
They are all safe, damn their eyes.

"Load in the diseased,
Load in the old man's sheep."

We're going on a voyage.

J.

9.3.07

Livros Lidos em 2006


Faço essa listinha todo ano, pra poder olhar no fim do ano e lembrar de todos os livros que eu li. É um mecânismo anti-sequela...

1. A Divina Comédia - Dante Alighieri
2. Johnny Cash - An Autobiography
3. To Kill A Mocking Bird - Harper Lee
4. Confraria dos Espadas - Rubem Fonseca
5. Crime e Castigo - Dostoievisk
6. Zuckerman Bound - Philip Roth
7. The Diamond As Big As The Ritz And Other Stories - F. Scott Fitzgerald
8. King Lear - Shakespeare
9. Otelo - Shakespeare
10. Secreções, Excreções e Desatinos - Rubem Fonseca
11. Dubliners - James Joyce
12. Hamlet - Shakespeare
13. A Primeira Viagem Ao Redor Do Mundo - Diário da Expedição de Fernão Magalhães - Antônio Pigafetta
14. Ô Copacabana - João Antônio
15. Contos - Machado de Assis
16. Eu Receberia As Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios - Marçal Aquino
17. Contos - Guy Maupassant
18. Sonnets From The Portuguese - Elizabeth Barret Browning
19. Os Melhores Contos - João Antônio
20. Antologia de Contos - Parte 1 - Machado de Assis
21. Antologia de Contos - Parte 2 - Machado de Assis

19.2.07

Velha Guarda



Hoje, a 1 am - na Portela:

o REI da bateria,

o KAISER da quizumba

o IMPERADOR na batucada

o CALIFA da avenida

o SHEIK dos chocalhos,

o KZAR do Sambódramo

CAAAAAARLOOOOS LEMOS (meu avô), na velha guarda da Portela.

18.2.07

Contra o grão

Não amanhece
Sobre meu rosto
Ou no resto no copo
No que resta no corpo,
No cuspe na taça,
Quando amanhece,
Se amanhece um dia.
Como óleo no vinho
Distorcidas cores.
E culpam a luz do sol,
O soldado que atravessou
O deserto com o seu tambor
Não culpou quem não o recebeu
Culpou baquetas e o fio dental.
Coitado.
Coitadinho.
Encarando o muro,
se pergunta -
"porque não
eu?
porque
não?"

Portões jamais respondem
Contra tempestades de areia
Contra o grão maléfico;
Permanece silencioso.

Despedida Orquestrada

Você acena, as mãos,
como se regesse uma orquestra.
Com todo o drama das melodias,
De todas as partidas,
antes dessa.

Seus dedos tortos controlam,
tremem os arcos dos violinos,
pulsam a jugular do cello,
desafina,
por um compasso.

geme, grave, geme.

A dor dos cantores de tango
Entre as pernas da moça
Sua saia como cortina,

geme, o cello, geme,
O desejo que agoniza.

A orquestra toda some
Na curva da esquina
Enfiada no seu bolso,
onde um isqueiro é procurado.

17.2.07

Você Que


Eu canto pra você
que decifrou minha voz,
eu canto para esquecer
o que foi feito de nós.
A sua esmola
já não me banca
Mas sua gaiola
Ainda me tranca.

Eu penso em você
Quando
tudo te chama,
Quando a minha cama
Não quer me receber.
Vou a rodas galantes,
visito palacetes,
Brindo, beijo e danço
junto a outros cadetes.

Eu gostei de você
Que um dia disse que eu
Era a mais bonita
Que você nunca conheceu.
Outras meninas podem
Ter te conhecido
Mas se você conheceu elas
Eu nem imagino.

Um beijo pra você
Que não passa mais por aqui.
Ainda lembro bem,
nada se perdeu em mim.
Reviro os olhos pra dentro
E te vejo lá -
Mexendo no meu cabelo,
esperando a chuva passar.

6.2.07


Diálogo

H: Então, o que você queria me perguntar?

M: Você me conhece, você sabe que eu não sou a pessoa que tem respostas, eu sou a pessoa que tem perguntas. Um monte de perguntas.

H: Você nunca fez muitas perguntas para mim.

M: Eu não faço perguntas, a maior parte das perguntas não são nada além de Loucura Especulativa Feminina, são uns delírios interrogativos breves, que não valem nem a pena ser pensados, muito menos articulados.

H: Se você não tem nenhuma resposta então me faz uma pergunta. Me pergunta alguma coisa.

M: Você ainda me ama?

H: Caralho, você podia ter começado com alguma coisa tipo “qual a sua cor favorita”, ou sei lá...

M: Qual a sua cor favorita?

H: Preto.

M: Você ainda me ama?

H: Sim.

(...)

M: Viu, esse é o problema dessas perguntas, elas têm respostas, quando você tem alguma resposta você tem que fazer alguma coisa com ela. As pessoas esperam que você faça alguma coisa, é como funciona. E eu não sei o que eu faço com essa.

H: A gente faz o que a gente fazia antes.

M: Isso não serve mais pra mim.

H: O que?

M: O que a gente fazia antes. Não serve mais pra mim, eu preciso de mais.

H: Você ainda me ama?

M: Sim.

H: E o que a gente faz com isso?

M: Eu não sei, eu devia ter parado no “qual é a sua cor favorita”.

26.1.07

Relatório vulgar de uma noite

I

No Caminho

Eu vim ao nosso templo torto

No dia anterior ao seu retorno,

Eu vim procurar (e achei)

Rostos amigos pra me consolar.

II

Antes

Passei pelo Sheraton;

Senti meu coração se amassar

Feito uma bolinha de papel.

E, de Copacabana à Lapa,

(pela praia)

Esperei te ver

Em qualquer birosca –

-Pagar o meu táxi,

- Me beijar respeitando minha dor,

- Dizer que voltou pra me buscar.

Ah, tolinha.

III

Cúpula Comunicativa

Dezoito créditos no cartão,

Nenhum amigo que atenda

A porra do telefone.

Mesmo do orelhão

Eles sabem que sou eu.

IV

No balcão

- “Qual o seu nome?”

- “Salvador.”

- “Veio aqui salvar o que?”

- “A minha pele.”

V

Aqui nessa mesa de bar

O mundo definitivamente

Não precisa:

a) de mais fãs do Chico Buarque.

b) De pessoas que dizem que adoram Johnny Cash.

c) De gente que acha Roberto Carlos brega.

Não precisa,

Não precisa,

Não precisa.

Vai ver sou eu que não preciso.

Vai ver sou eu.

Vai ver...

Vai vênô....

VI

Quinto Chopp

O sétimo eu vou escrever em casa,

Já babando, meio em coma.

Só posso dizer com certeza absoluta

Que não vai prestar.

Mas pra que terminar bem

O que já começou mal?

Eu já nem estou mais triste;

Eu já nem estou.

“Fecha a 6”

A minha é a dezoito.

Ainda falta muito.

VII

“Diga as suas preces”

Eu não sei o que eu vim

Fazer aqui,

Mas Deus sabe.

Minha única vantagem

É saber que Ele sabe

(E que Ele faz por mim).



14.1.07

Bogey



Um ex-namorado meu dizia que se eu o traísse com Humphrey Bogart ele entenderia. Tentei fazer com que ele também extendesse sua compreensão ao Al Pacino, mas infelizmente ao Al ele não podia dar a confiança que ele dava à um homem morto. E hoje fazem 50 anos que Bogey morreu.

O "strong silent type" não existiria sem Bogart. Ele criou esse arquétipo. O sujeito caladão que encara seu drink enquanto se pergunta até onde ele iria por uma mulher e, entre o quinto ou o sexto trago, percebe que ele já foi metade do caminho e não há mais volta. Bode expiatório dos conformistas, corruptos, desonestos. Desafia figuras de autoridade, amarra o policial para pegar o verdadeiro bandido.

O cigarro eternamente suspenso na esquina do lábio. Qual é a dessas pessoas que tem um pacto misterioso com o vento e conseguem fumar sem usar as mãos? Eu não sei fazer isso. Entra fumaça do olho.

O sujeito que levou Dulci a descobrir o Cosmopolita. Precisava tomar um chopp para digerir A Relíquia Macabra, e entrou pela'quela porta de saloon do melhor bar da Lapa.

Bogart é a muito tempo a epítome do "cool." Não é moda, não é hype, é só cool. Não precisa de nenhum resgate. Ele está sempre lá. O anti-herói que realmente precisa se esforçar para fazer a coisa certa. Gente como a gente.

No fundo, no fundo, eu nasci para amar Humphrey Bogart.

J.

2.1.07

Shuffle - 2.0

Já brinquei disso aqui antes. O negócio é o seguinte - eu abro o meu ITunes aqui e ligo no shuffle. Escrevo um testo curto durante a duração de cada canção - meio livre associação. Depois eu escolho um pedaço da música em questão. Pronto. É meio subto e quase não presta. Mas é divertido.

1- Señor (Tales Of Yankee Power) – Bob Dylan

“Señor, señor, you know their hearts is as hard as leather.

Well, give me a minute, let me get it together.
I just gotta pick myself up off the floor.
I'm ready when you are, senor.”

No deserto as coisas sempre começam devagar, e é assim que elas terminam, a morte é lenta, longa, covarde. Aqui se morre aos poucos, sem nem se perceber. Mentes mais alertas talvez dêem falta de um pedaço de um baço, de uma corda vocal estourada, mas aqui nenhuma mente está alerta. O deserto não respeita a memória dos seus mortos, o deserto não tem memória. Eu te digo que, com certeza, ninguém entre esses dois acampamentos está ali por escolha própria e, se foi por escolha própria, te garanto que estão profundamente decepcionados com a escolha que fizeram. Miragem é salvação, jacaré é tronco. Qualquer coisa é alguma coisa para quem vagueia entre essas dunas. Qualquer coisa é muita coisa, coisa demais.

2- Conselho – Nora Ney

“Se você me encontrar pelas ruas
Não precisa mudar de calçada
Pense logo que somos estranhos
E que entre nós houve nada.”


Eu estou nesse bar faz meia hora, há meia hora sozinha e pouco me incomoda. Me dizem, alguns amigos mais preocupados, que beber sozinha é deprimente. Eu não vejo o que há de deprimente nesses goles largos e espaçados. Por que a minha sede precisaria de companhia? Eu tenho alguns desamores para mastigar, regurgitando e engolindo com esses goles largos. Engolir à seco é difícil, por isso bebo. Não é para me alegrar, não é para esquecer, é só para ajudar a desfazer um nó ou outro que se formou entre a minha boca e o meu peito. Nada de triste nisso.

3- House Of The Rising Sun – Odetta

“One foot, it’s on the platform
And another one on this train”


Escreva à Carminha e peça-lhe que aceite o conselho dessa puta triste. Diga-lhe que não tenho qualquer intenção de lhe sugerir as escolhas certas, mas que eu conheço, e sou prova viva, de todas as escolhas erradas que ela poderá fazer. No fim das contas, não há muito o que dizer, só peça que ela reze para se apaixonar pelo homem certo, por um homem que nunca ouse virar a mão na cara dela, ou lhe pedir dinheiro para mais um trago. Eu esqueci de rezar pelo homem certo e acabei com um homem que esqueceu de rezar por mim. No fim de repente seja sorte. Eu às vezes sinto que eu mereço coisa melhor. É ocasional a sensação, um lampejo de um outro mundo, que poderia ter sido meu, que me visita às vezes, enquanto vejo esses velhos nojentos gozarem sobre o meu corpo. Tomara que Carminha chegue lá.

4- 19 Días Y 500 Noches – Joaquin Sabina

“Tenían razón
mis amantesen eso de que, antes,
el malo era yo,
con una excepción:
esta vez,yo quería quererla querer
y ella no.”

Já não pago mais as contas dos viciados, dos cocaínomanos. Você sabe, a cocaína afeta o lóbulo frontal do cérebro, a parte que comanda as funções executivas – moral, ética, culpa. E é essa parte que você sente doer depois de algumas carreiras, e é a dissolução desse pedacinho de cérebro que gera esses assassinos de sangue frio, sem escrúpulos, que não perdem perdão a ninguém. Elias Maluco, Marcinho VP, fanáticos cheirados com espadas samurais. Essas pessoas que se tornam ilhas simplesmente por que fecham todos os portos, ou cobram impostos altos demais para qualquer mortal com algum pingo de amor-próprio.

Eu abri os meus portos, baixei alguns impostos, extingui outros completamente. Minha ilha se tornou uma zona-franca. E assim também se tornou um porto seguro para os amantes cruéis, falsários, piratas.
Que fechem os portos então. Eu vou ser ilha um pouquinho, desligar o telefone vermelho, quebrar o botão de emergência. Que o resto do arquipélago não me queira mal. Que não me queiram at all.

5- Blood Brothers – Bruce Springsteen

“Well the hardness of this world
Slowly grinds your dreams away
Making a fool’s joke
Out of the promises we made”

Veja. Cada uma dessas cicatrizes representa uma promessa que eu cumpri. Levando em consideração todas as promessas que eu fiz são poucas as cicatrizes, poucas demais para que eu possa me orgulhar do conjunto da obra. Me orgulho delas em particular, mas não do conjunto da obra.
Você me amarrou aos trilhos de um trem de uma linha desativada. A piada mais cruel de todas. Eu esperei morrer, ditei ao vento o meu testamento, recebi a estrema-unção das estrelas. Depois passei a rezar pelo trem, sendo assombrada pelo apito, pelo som das poderosas rodas que esfacelariam o meu corpo cansado. Antes isso do que morrer de sede e de fome.
Não sei como eu saí de lá. As cordas apodreceram, tanta chuva, tanta coisa passou por elas. Menos o trem. A piada mais cruel de todas.
Cada cicatriz, uma promessa que eu cumpri. Me orgulho de cada uma.

6- Meu Caboclo Não Deixa – Noriel Vilela

“O meu caboclo mandou te avisar
Que quem faz o meu acaba pagando
E não adianta fazer teu feitiço
Porque tu vai fazendo e ele vai desmanchando.”



Nasceu filho de Iansã, em uma encruzilhada onde cantam sete galos. Sua mãe era louca, seu pai fugitivo, nasceu torto, nasceu imundo, nasceu todo errado. Hoje em dia tem uma arma que late quando alguém de aproxima e um coração que atira quando alguém pisa em cima. Fecha e abre qualquer rua, por uma garrafa de pinga ou até menos. As piores das intenções estão por trás de cada beijo.


7- Estrela Dalva – Orlando Silva

“Estrela Dalva, minha estrela matutina,
Te fizeram pequenina
Para o amor que Deus me deu.
Eu te suplico, da-me flor em vez de espinho,
Ilumina o meu caminho,
Que o destino escureceu.”

Eu escrevo de um lugar onde não bate luz, onde talvez qualquer facho de luz nunca tenha iluminado aquela dança estranha das partículas de poeira. E eu sonho com uma luz difusa, morna, uma luz que contorna e aquece. São diversas luzes, um arquipélago de estrelas que ilumina um continente ainda não descoberto. Nem por isso é virgem, nem por isso é bom, só é desconhecido. Eu nunca rezei à Deus por uma passagem, eu não gosto de pedir nada à Ele. Eu fico guardando a minha oportunidade de pedir alguma coisa, quero ter crédito na praça, sabe. Mas seria bem gasto, todo o crédito de uma vida austera, seria bem gasto com um mapa para a ilha cintilante, entre Ursa Maior e o Cruzeiro do Sul...Eu não quero mais viver sob o signo de câncer, nesse trópico sujo.

29.12.06




Menina & Rosa

Tatuagem nova - design meu (a letra inclusive) capturado infalivelmente pela mão de Nino, lá da King Seven.

"Beauty walks a razor's edge
Someday I'll make it mine"




Então, a minha resolução de 2007 (talvez uma resolução para vida inteira):

"A beleza caminha sobre o fio da navalha

Um dia eu a farei minha"

J.

16.12.06

Olha O Que Você Fez

Canção nova. Em mi menor (só pra não escrever "em Em"), mais uma vez. ô acorde bom.

Não vou dividir a culpa,
Se a culpa é só uma,
Ela é toda sua, meu amor.
Não vou aceitar desculpas,
Sei que você tem algumas,
Catalogadas num computador.
Seus ministros vão cair,
Você vai ver e vai sentir
A dor de amar um traidor...

Meu bem, não é a primeira vez,
Olha o que você fez,
A merda que você fez.
Nem vem, que eu já fui e voltei,
Eu sei o que você fez,
A merda que você fez.

Essa arquitetura leve
Dos seus beijos talvez negue
O peso de tanta solidão.
Caia de joelhos, reze,
Mas se lembre que a prece,
Talvez se transforme em maldição.
Suas musas mal-comidas
No buffet já fazem fila
Esperando a sua gratidão


Meu bem, não é a primeira vez,
Olha o que você fez,
A merda que você fez.
Nem vem, que eu já fui e voltei,
Eu sei o que você fez,
A merda que você fez.

Abra a boca, feche os olhos,
Isso, agora estamos quites.
Agarrados aos destroços,
Às promessas e os deslizes...

Não vou dividir a culpa,
Se a culpa é só uma,
Ela é toda sua, meu amor...


J.

Eis O Homê!


Machadão, eu te amo!
Poemas Dos Outros - #2

Não sei se é ético dedicar poemas nos outros para alguém, mas se for dedico esse (ou essa tradução tosquíssima) à N., que ruma a terra da garoa em breve.

Uma Arte

Não é difícil dominar a arte de perder;
Tantas coisas parecem já estarem tão obstinadas
A serem perdidas que sua perda desastre não pode ser.

Perca algo todo dia. Aceite a perturbação
De chaves de porta perdidas, da hora mal aproveitada.
Não é difícil dominar a arte de perder.

Então pratique perder mais, mais depressa:
Lugares, e nomes, e para onde você desejava
viajar. Desastre nada disso pode trazer.


Eu perdi o relógio da minha mãe. E veja! foi-se a última,
ou quase-última, das minhas três casas amadas.
Não é difícil dominar a arte de perder.

Eu perdi duas cidades, eram adoráveis. E, mais vasto,
Alguns reinos que eram meus, dois rios, um continente.
Eu sinto falta deles, mas desastre não pôde ser.

---Até perdendo você (a voz jocosa, um gesto
que amo) eu não deverei mentir. É evidente que
Não é difícil dominar a arte de perder.
Apesar de talvez parecer (escreva!) desastre.

Elizabeth Bishop

No original: http://www.cs.rice.edu/~ssiyer/minstrels/poems/639.html
Poemas Dos Outros - # 1

O poema que eu queria ter escrito para o homem que eu mais amei (ou o poema que ele deveria ter escrito para a mulher que mais amou ele).

Roses And Rue

Could we dig up this long-buried treasure,
Were it worth the pleasure,
We never could learn love's song,
We are parted too long.

Could the passionate past that is fled
Call back its dead,
Could we live it all over again,
Were it worth the pain!

I remember we used to meet
By an ivied seat,
And you warbled each pretty word
With the air of a bird;

And your voice had a quaver in it,
Just like a linnet,
And shook, as the blackbird's throat
With its last big note;

And your eyes, they were green and grey
Like an April day,
But lit into amethyst
When I stooped and kissed;

And your mouth, it would never smile

For a long, long while,
Then it rippled all over with laughter
Five minutes after.

You were always afraid of a shower,
Just like a flower:
I remember you started and ran
When the rain began.

I remember I never could catch you,
For no one could match you,
You had wonderful, luminous, fleet,
Little wings to your feet.

I remember your hair - did I tie it?
For it always ran riot -
Like a tangled sunbeam of gold:
These things are old.

I remember so well the room,
And the lilac bloom
That beat at the dripping pane
In the warm June rain;

And the colour of your gown,
It was amber-brown,
And two yellow satin bows
From your shoulders rose.

And the handkerchief of French lace
Which you held to your face -
Had a small tear left a stain?
Or was it the rain?

On your hand as it waved adieu
There were veins of blue;
In your voice as it said good-bye
Was a petulant cry,

'You have only wasted your life.'
(Ah, that was the knife!)
When I rushed through the garden gate
It was all too late.

Could we live it over again,
Were it worth the pain,
Could the passionate past that is fled
Call back its dead!

Well, if my heart must break,
Dear love, for your sake,
It will break in music, I know,
Poets' hearts break so.

But strange that I was not told
That the brain can hold
In a tiny ivory cell
God's heaven and hell.

- Oscar Wilde

Tentei traduzir. Não consegui.